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Vaticano determina que colégios dos Arautos do Evangelho sejam fechados

Famílias denunciaram abusos que teriam sido cometidos contra jovens dentro das instituições

Por Redação

04/09/2021 às 18:03:45 - Atualizado há
A comunidade dos Arautos do Evangelho foi fundada em 1999 e tem cerca de 3 mil pessoas no Brasil | Foto: Reprodução/SBT Brasil

O Vaticano determinou que os colégios do grupo Arautos do Evangelho, que segue uma rotina de princípios ultraconservadores, sejam fechados após a conclusão deste ano letivo e que os internos voltem para casa. A ordem foi enviada em um documento de 22 de junho, assinado pelo cardeal João Braz de Aviz.

A carta foi endereçada ao cardeal Raymundo Damasceno Assis, nomeado pelo Papa Francisco como interventor para os Arautos do Evangelho. Entre os motivos citados para o encerramento das atividades dos colégios estão "numerosas comunicações aqui [Vaticano] enviadas pelos pais das crianças e jovens inseridos na órbita da Associação Arautos do Evangelho, nas quais se lamentam que as famílias de origem são, na maioria das vezes, excluídas das vidas dos seus filhos".

O documento classifica ainda a disciplina aplicada pelo grupo como "excessivamente rígida". A comunidade dos Arautos do Evangelho foi fundada em 1999 e tem cerca de 3 mil pessoas no Brasil. Em 2019, SBT Brasil exibiu reportagem com denúncias de abusos físicos, psicológicos e cárcere privado, que teriam sido cometidos contra jovens dentro das instituições. No mesmo ano, o Ministério Público passou a investigar o caso.

Para a assistente social e ativista dos direitos humanos Solange Massari, integrante do Grupo Tortura Nunca Mais, a decisão do Vaticano é "uma grande vitória". "E agora temos que monitorar de alguma forma para que cumpram a determinação e que as crianças e adolescentes saiam a salvo sem maiores prejuízos", completou.

Ex-secretária-executiva do Conselho Estadual de Direitos da Pessoa Humana (Condepe-SP), ela acompanha as denúncias desde 2019 e explica que, após investigação -- com entrevistas e coleta de materiais --, foi elaborado um dossiê de quase 700 páginas sobre os ocorridos. "É uma grande alegria ver o resultado deste trabalho e ouvir o choro de mães hoje, mas choro de alívio", pontuou.

Veja a carta assinada pelo cardeal na íntegra:


Fonte: SBT
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