Ex-diretor de penitenciária preso na operação Alegria é transferido para presídio federal

Ex-diretor de penitenciária preso na operação Alegria é transferido para presídio federal
Dois policiais penais também s√£o transferidos. Eles s√£o suspeitos de envolvimento em esquema criminoso em penitenci√°rias. Presos s√£o transferidos para pres√≠dios federais

Elton Lopes/TV Globo

Os policiais penais Reginaldo Santos Soares, Delano Augusto Alves de Oliveira e o ex-diretor da Penitenciária Nelson Hungria Rodrigo Clemente Malaquias, presos durante a operação Alegria nesta quinta-feira (8), foram transferidos para presídios federais nesta sexta-feira (9) por determinação judicial.

De acordo com a Polícia Federal (PF), as transferências foram pedidas por causa dos cargos que eles ocupavam e pela facilidade que tinham para corromper o sistema penitenciário mineiro.

Eles foram escoltados da sede da PF, em Belo Horizonte, até o Aeroporto Internacional, em Confins, na Regi√£o Metropolitana, de onde seguem para unidades prisionais federais. Antes, eles v√£o fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), no bairro Gameleira, na Regi√£o Oeste da capital mineira.

Penitenci√°ria Nelson Hungria, em Contagem

Reprodução/TV Globo

Operação Alegria

O relatório da investiga√ß√£o respons√°vel pela Opera√ß√£o Alegria, realizada na manh√£ desta quinta-feira (8), aponta que o ex-diretor do complexo penitenci√°rio Nelson Hungria, Rodrigo Malaquias, era o principal alvo e articulador do esquema de corrup√ß√£o. Ele cobrava R$ 50 mil para que os detentos n√£o fossem transferidos do pres√≠dio.

Rodrigo Malaquias foi preso no apartamento dele, uma cobertura no Barreiro, e levado para a sede da Pol√≠cia Federal. Os agentes apreenderam documentos e também um carro e uma moto de luxo no endere√ßo.

A força integrada de combate ao crime organizado de Minas Gerais cumpriu, na manhã desta quinta-feira (8), 28 mandados de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão em Belo Horizonte e mais 14 cidades do estado. A operação, que reuniu policiais federais e do estado, foi realizada para combater organização criminosa que se instalou em unidades prisionais do estado.

O advogado F√°bio Piló, que j√° foi presidente da Comiss√£o de Assuntos Carcer√°rios da OAB, também foi preso por envolvimento no esquema. Segundo investiga√ß√Ķes, ele teria enviado um √°udio ao ex-diretor da penitenci√°ria após um preso ser baleado por um policial penal. "A meta é sumir com este cara", disse, fazendo refer√™ncia ao policial. Malaquias respondeu: "Piló, cauterlamente, ele est√° afastado. Cab√™, acabou". (Veja mais detalhes de negocia√ß√Ķes no v√≠deo)

Outro preso envolvido no esquema é o delegado Leonardo Estevam Lopes. Ele teria negociado uma transfer√™ncia de preso com uma advogada. A transfer√™ncia n√£o aconteceu. Mas a participa√ß√£o do delegado foi o bastante para que ele fosse enquadrado no crime de corrup√ß√£o passiva.

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O que dizem os envolvidos

O advogado de Rodrigo Clemente Malaquias, Leandro Martins, disse que vai se manifestar após ter conhecimento dos autos do inquérito.

A Secretaria de Estado de Justi√ßa e Seguran√ßa P√ļblica (Sejusp) falou que n√£o compactua com os desvios de conduta de seus servidores e tem atuado, com prioridade e dentro do que prev√™ a lei, no combate a a√ß√Ķes criminosas. "Os profissionais presos nesta manh√£ n√£o conjugam dos valores dos mais de 17 mil servidores que, diariamente, possuem a miss√£o de custódia e ressocializa√ß√£o de cerca de 60 mil internos em Minas."

Segundo a Sejusp, Rodrigo Clemente Malaquias exerceu a fun√ß√£o de diretor-geral da Penitenci√°ria de Contagem I (Nelson Hungria) entre 22/12/2017 e 18/06/2020, quando foi destitu√≠do do cargo de chefia. "Policial penal de carreira, Rodrigo Malaquias encontra-se atualmente em usufruto de férias regulamentares sem aloca√ß√£o em unidade espec√≠fica", disse a pasta.

Em nota, a OAB disse soube, na manh√£ desta quinta, da opera√ß√£o envolvendo a suposta participa√ß√£o de advogados. "A OAB/MG repudia veemente todos os atos de corrup√ß√£o e est√° acompanhando a opera√ß√£o. J√° foi determinada a instaura√ß√£o de processo administrativo e, caso fique comprovada a participa√ß√£o de advogados, a Seccional Mineira aplicar√° todas as san√ß√Ķes cab√≠veis."

A Pol√≠cia Civil foi questionada sobre a investiga√ß√£o de atua√ß√£o do delegado na ativa Leonardo Estevam Lopes no esquema, mas respondeu apenas o seguinte: "A Pol√≠cia Civil de Minas Gerais (PCMG) manifesta que, por meio da Ficco, realizou as investiga√ß√Ķes que culminaram na Opera√ß√£o Alegria, em conjunto com a PF, Depen Federal e Depen Estadual. A Corregedoria da PCMG participou do cumprimento dos mandados. Quatro policiais penais e um delegado da PCMG foram presos. A PCMG n√£o confirma nomes, em obedi√™ncia à Lei de Abuso de Autoridade".

O advogado, Fernando Magalh√£es, que faz a defesa dos advogados F√°bio Piló e Luis Astolfo Sales Bueno disse que provar√° nos autos que a pris√£o de ambos é contr√°ria a todos os preceitos legais. "Buscavam a tempo tratativas para oferecer esclarecimentos que envolvem os mais altos cargos afetos à gest√£o governamental em especial a Secretaria de Seguran√ßa P√ļblica. Diante de tal, ficamos estarrecido mas permanecemos confiantes na justi√ßa. Buscaremos a breve solu√ß√£o. Cremos ainda que a OAB-MG e Federal n√£o silenciar√° diante dos fatos e preservar√° o direto de seus assistidos".