Fazendeiro e policiais militares são presos após confronto com morte de sem-terra em assentamento no RJ

Fazendeiro e policiais militares são presos após confronto com morte de sem-terra em assentamento no RJ
Policiais eram amigos do fazendeiro. Eles estavam de folga no dia do confronto e foram baleados. Fazendeiro foi preso em um apartamento no Centro de São Pedro da Aldeia na manhã deste sábado (11). Foram apreendidos armas ilegais e um adesivo da Polícia Federal. Dois policiais e um fazendeiro foram presos por suspeita de ataque a assentamento rural

Um fazendeiro e dois policiais militares foram presos na manh√£ deste s√°bado (11) apontados como autores da morte do trabalhador rural sem-terra Carlos Augusto Gomes, de 58 anos, em S√£o Pedro da Aldeia, na Regi√£o dos Lagos do Rio.

O crime aconteceu na quarta-feira (8) no acampamento Em√≠lio Zapata, próximo ao assentamento Adhemar Moreira, na regi√£o de S√£o Matheus. Houve um confronto entre os policiais, que estavam de folga no dia do crime, e trabalhadores rurais que vivem na localidade da Fazenda Negreiros.

De acordo com a Polícia Civil, o fazendeiro seria o mandante do crime e os policiais os executores.

Os policiais militares foram baleados no confronto e est√£o hospitalizados. Eles j√° foram comunicados da pris√£o.

O fazendeiro foi preso quando estava em um apartamento no Centro de São Pedro da Aldeia. Segundo a polícia, ele tentou jogar armas pela janela quando os agentes chegaram.

Com ele, a pol√≠cia apreendeu uma pistola, um revólver, uma espingarda, touca ninja, facas, colete e até um adesivo da Pol√≠cia Federal.

"Quando nossa equipe chegou no apartamento onde estava o propriet√°rio da terra, aparentemente ele estava dormindo, mas quando se deu conta que era a pol√≠cia, correu e se trancou no quarto. Ele tentou jogar as armas pela janela, mas a pol√≠cia conseguiu recuperar tudo, porque a √°rea estava cercada. J√° os policiais militares, continuam internados e j√° est√£o custodiados na unidade de sa√ļde", afirmou o delegado do caso, Bruno Gilabert, da 125¬™ DP.

As pris√Ķes foram em cumprimento de mandados de pris√£o tempor√°ria pelo crime de homic√≠dio para os tr√™s envolvidos, j√° o fazendeiro, também vai responder pelo flagrante das armas irregulares.

"Tomamos a ci√™ncia do caso na quarta-feira, quando ocorreu o confronto armado na fazenda. Os dois policiais se feriram e o sem-terra morreu. O corpo dele só foi encontrado no outro dia, quinta-feira. O laudo da v√≠tima ainda n√£o est√° pronto, mas visualmente, foi constato pelo menos dois ferimentos feitos por arma de fogo, um na cabe√ßa e outro no tórax. Ferimentos que podem ter sido a causa da morte do homem", acrescenta o delegado.

Há cerca de 15 anos, a Fazenda Negreiros foi parcialmente desapropriada em ação movida pelo Incra e, no local, foram assentadas 40 famílias de trabalhadores rurais. A parte não desapropriada da fazenda, cerca de 900 hectares, foi ocupada por outros trabalhadores rurais, o que teria gerado o conflito. Há em andamento uma ação judicial para a desapropriação dessa parte não autorizada.

"Houve imiss√£o na posse parcial, mas é necess√°rio a conclus√£o desse processo, porque isso traz mais estabilidade a essas regi√Ķes conflituosas. Estamos colhendo os dados e, se os crimes foram em decorr√™ncia desse conflito agr√°rio, teremos que requisitar a instaura√ß√£o de inquérito da Pol√≠cia Federal", disse o procurador do MPF, Leandro Mitidieri.

Acampamento foi alvo de inc√™ndio criminoso na √ļltima segunda-feira (6) em S√£o Pedro da Aldeia, no RJ

Arquivo pessoal

Na segunda-feira (4), existiam seis casas na √°rea de conflito e uma delas foi queimada.

Em depoimento prestado na delegacia essa semana, o fazendeiro alegou que os policiais eram amigos dele e que não estavam prestando serviço para a fazenda e estavam de folga.

Segundo o propriet√°rio, ele teria sido surpreendido com a ocupa√ß√£o na √°rea, come√ßou a ver pessoas que n√£o conhecia e também cabanas. Foi ent√£o que decidiu colocar tudo abaixo. A Pol√≠cia Civil disse que o assentamento j√° existia h√° algum tempo, diferente do que foi dito pelo fazendeiro.

O Comando da Polícia Militar informou que os dois policiais militares estavam de folga e que vai instaurar um procedimento interno para apurar os fatos.

O Movimento Sem Terra, emitiu uma nota informando que se solidariza com as famílias e repudia esse tipo de confronto. O MST disse, ainda, que exige uma apuração mais rigorosa do fato.

O advogado de defesa do proprietário rural, alega que o seu cliente agiu em legítima defesa.