Brasil entra em rede global de produção de vacinas contra Covid-19

A OMS afirmou que ainda não há definição sobre qual será a atuação do Brasil no desenvolvimento e produção de tratamentos e vacinas, o que será feito "nos [...]

Brasil entra em rede global de produção de vacinas contra Covid-19

A OMS afirmou que ainda n√£o h√° defini√ß√£o sobre qual ser√° a atua√ß√£o do Brasil no desenvolvimento e produ√ß√£o de tratamentos e vacinas, o que ser√° feito "nos próximos passos" do projeto. A entidade n√£o informou se h√° um calend√°rio para os próximos passos.

Segundo Akira Homma, assessor científico sênior do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos Bio-Manguinhos, da Fiocruz, o país teria condi√ß√Ķes de entrar em pelo menos três fases do processo: no desenvolvimento de vacinas, nos testes clínicos de fase 3 (que precisam ser feitos em um país onde a pandemia ainda esteja ativa) e na fabrica√ß√£o dos produtos em grande escala.

Uma das vantagens competitivas do país, segundo ele, é a unidade piloto de vacinas de Bio-Manguinhos, "com todas as características de boas pr√°ticas de fabrica√ß√£o, que pode produzir para estudos clínicos e fazer o escalonamento de produ√ß√£o".

Homma diz que pesquisas para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19 feitas em diferentes centros diferentes, como USP, Incor e Fiocruz de Belo Horizonte, trabalhando com diversas alternativas tecnológicas, poderiam potencialmente participar do pool global.

Esses institutos têm parcerias com institui√ß√Ķes estrangeiras e podem buscar alian√ßas para acelerar suas pesquisas, afirma o assessor científico.

As instala√ß√Ķes de produ√ß√£o industrial da própria Bio-Manguinhos e do Instituto Butant√£ podem ser importantes quando uma vacina vi√°vel for descoberta. "Laboratório nenhum no mundo consegue produzir a quantidade necess√°ria em escala global", diz ele.

Além disso, o mais prov√°vel é que, quando houver vacinas para serem testadas na popula√ß√£o, o número de casos de Covid-19 j√° esteja muito baixo em países desenvolvidos, e seja preciso fazer os experimentos em outras regi√Ķes, como o Brasil.

No desenvolvimento de uma vacina, ela é primeiro testada em células em laboratório, depois em animais, e ent√£o passa a estudos clínicos com seres humanos.

Na fase 1 é testada a seguran√ßa, em grupos de 40 ou 50 pessoas; na fase 2, calibram-se as dosagens corretas para diferentes grupos e na fase 3 a vacina é aplicada em uma amostra da popula√ß√£o que esteja exposta à doen√ßa, para que seja avaliada sua efic√°cia. É nesse momento que o Brasil pode ser um local propício para os experimentos.

Nesta pandemia, para acelerar as pesquisas, as v√°rias fases est√£o acontecendo em paralelo, em vez de sequencialmente (o que poderia levar de 10 a 15 anos), e a OMS j√° deu OK para testes ainda mais acelerados, chamados de challenge, em que o vírus é inoculado em pacientes que tomaram a vacina, para verificar se ela protege contra a infec√ß√£o.

"Esse tipo de teste j√° foi feito em humanos para doen√ßas como cólera, febre tifóide e influenza, e permite definir a efic√°cia num tempo curtíssimo", diz o cientista.

Até esta segunda, o C-TAP incluía também Argentina, Bangladesh, Barbados, Belize, Chile, República Dominicana, Equador, Egito, Indonésia, Líbano, Mal√°sia, Maldivas, México, Mo√ßambique , Om√£, Paquist√£o, Palau, Panam√°, Peru, S√£o Vicente e Granadinas, √Āfrica do Sul, Sud√£o, Timor-Leste e Uruguai.