Após três décadas e seis candidaturas a presidente da República, “o democrata cristão” José Maria Eymael deixou a Presidência Nacional do partido Democracia Cristã (DC), aos 85 anos de idade, durante convenção que elegeu o ex-deputado federal alagoano João Caldas, em São Paulo, nesta terça-feira (30).
Caldas pode ficar livre para liderar o partido nanico, sem a supervisão de Eymael, já que este justificou sua saída para dedicar-se a questões pessoais. O ex-deputado alagoano é casado com a senadora Eudócia Caldas (PL-AL), irmão da futura ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marluce Caldas, e pai do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o “JHC”, que pode deixar o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Vamos avançar. Teremos candidatos em todos os estados. O partido vai crescer”, disse João Caldas, ao jornalista Wadson Regis, do site AL1. Promessa desafiadora, diante do fato de o DC não ter deputados federais ou senadores e ter apenas dois prefeitos eleitos no ano passado.

Indicada Marluce Caldas ao STJ com o presidente Lula, o prefeito JHC e o deputado Arthur Lira. (Foto: Reprodução/Instagram/@oficialarthurlira)
Interesses de Alagoas
A ascensão de João Caldas ao comando nacional do DC fortalece a articulação política de JHC que sinaliza uma aproximação da base política do presidente Lula (PT), após o petista indicar sua tia ao STJ, no início deste mês. E minimiza os impactos da esperada guinada política do prefeito, que possui uma forte base eleitoral bolsonarista em Maceió, capital brasileira em que Bolsonaro obteve a melhor votação nas eleições de 2022.
A aposta de Lula em atrair JHC é considerada uma jogada de risco para reconfigurar as alianças do prefeito que lidera a oposição com potencial eleitoral capaz de tomar o governo de Alagoas do domínio do MDB da família do senador Renan Calheiros e do ministro dos Transportes Renan Filho.
Senador licenciado que integra o governo de Lula, Renan Filho sinaliza uma volta ao governo de Alagoas, em 2026, e a aliança branca com JHC junto a Lula forçaria o prefeito a ter como alternativa se candidatar a uma das duas vagas ao Senado, que já tem como postulantes o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), aliado de JHC, e Renan Calheiros, maior alvo do discurso de oposição assumido pelo prefeito.
Mas o próprio João Caldas afirmou que “tudo pode acontecer” com o futuro político de JHC, porque o prefeito tem vida política independente, segundo destacou o novo líder nacional do DC ao site AL1. Declaração que reforça o risco de Lula ao indicar Marluce Caldas ao STJ, para forjar um acordo para que JHC não faça oposição ao projeto petista para a Presidência da República, em 2026, não disputando o governo de Alagoas.
“Os caminhos dele, quem vai escolher será ele, que faz parte dos quadros do PL, que é um partido forte e com intenção de fazer o presidente da República, governadores, senadores e deputados em todos os estados. Minha missão é fortalecer o DC e conto com o apoio das lideranças estaduais. Aguarde novidades”, disse João Caldas, ao jornalista Wadson Regis.
Com Diário do Poder